Uma grande obra do cinema. Uma releitura sem precedentes de um povo orgulhoso. Um breve relato: Willian de Baskerville (um ex-inquisidor da Sta. Igreja) e seu jovem recruta Adson chegam a um monastério encravado nas montanhas para auxiliar na investigação de assassinato de um irmão, supostamente obra do diabo. Enquanto sua estadia no monastério, Will descobre facetas incríveis do orgulho e da arrogância de monges da idade média, e vive o inferno quando outros irmãos também falecem, aparentemente, desta vez, por obra de um livro amaldiçoado. Sempre com a ajuda do jovem embora talentoso Adson, o filme retrata a busca de Will pela verdade. O que aquele monastério esconde? Quais os segredos que a Sta. Igreja não quer que sejam revelados? Willian percebe-se em maus bocados quando vê-se cara a cara com seu antigo inimigo, o inquisidor Bernardo Gui (que realmente existiu em tal época), e vê seu pupilo apaixonar-se por uma camponesa à beira da pena de morte por incineração.
Agora, a releitura. Quais são as diferenças e as igualdades presentes no filme e nos dias atuais, com a diferença de 700 anos? Primeiramente, e mais calamitosa, é a situação da mulher. Tratada como bruxa e vivendo da imundície e da sujeira, sua morte parecia certa desde os primeiros momentos em que aparecera na obra, ao seduzir Adson em uma saleta escura. Além de ser subjugada e vista como reencarnação da cobra e do diabo, é brutalmente extorquida de seus direitos civis mínimos e tratada com o mesmo respeito destinado a um lixo. Falam em democracia, mas democracia em grego significa governo do diabo. Onde está, então, a verdade e a igualdade? Tais palavras existem apenas como palavras ou há real significado? A cobra, ao que se apura em mitos, é a forma carnal do dois-chifres, o ser que fez com que Eva comesse da fruta proibida e fosse banida de seu habitat mais-que-perfeito. E a democracia dita com tanto entusiasmo por alguns monges é o que menos ocorre, pois há negação em ouvir a verdade, há negação pelas descobertas de Willian e há negação pela sua presença no templo. Um de seus antigos companheiros é fã devoto de que em breve descerá dos céus a terceira tempestade, com escorpiões negros, fome e doenças. Tudo bem, eu acredito no deus Apocalipto. Mas entre um e outro está a verdade. Ou com ambos, se quisermos assim dispor. E a verdade é que durante anos e anos a mulher e a democracia foram palavras apenas, pois seus verdadeiros significados aconteciam somente no escuro, sendo bruxa ou demônio.
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